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ESG: o que é, práticas e como aplicar no seu e-commerce

Seus três pilares envolvem critérios e valores ligados à sustentabilidade ambiental, social e econômica

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Com o crescente debate em torno de pautas socioambientais, as empresas têm buscado formas para adequar-se às demandas de governos e do próprio público consumidor.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa aponta que 87% dos brasileiros preferem empresas com práticas sustentáveis. Inclusive, 70% dos entrevistados afirmou estarem dispostos a pagarem mais por isso.

É diante desse cenário que surge a agenda ESG. O termo é uma sigla do inglês que combina questões Ambientais (Environmental), Sociais (Social) e de Governança (Governance).

Seu objetivo é orientar as empresas a uma atuação mais ética e transparente, tanto em relação à natureza, quanto à sociedade e a seus próprios processos internos e suas relações.

A seguir, vamos entender melhor esse conceito, quais são as principais estratégias e os impactos da agenda ESG no e-commerce. Acompanhe!

O que é ESG?

O ESG é hoje um dos principais balizadores da atuação das empresas. Seus três pilares envolvem critérios e valores ligados à sustentabilidade ambiental, social e econômica.

A agenda surge como uma forma de criar um mundo mais justo, em que os recursos naturais sejam respeitados, assim como as comunidades afetadas diretamente pela atividade da empresa e a sociedade como um todo.

Entendendo um pouco melhor sobre cada um dos aspectos ESG:

  • Ambiental (E): refere-se à conservação da natureza e da biodiversidade, o que inclui a redução das emissões de carbono e do desmatamento, bem como a busca por uma maior eficiência energética e a gestão inteligente de resíduos.
  • Social (S): orienta as relações de trabalho e o respeito aos direitos humanos, com ênfase para a diversidade no ambiente de trabalho e o respeito às comunidades.
  • Governança (G): ligado às práticas de compliance, isto é, à conformidade uma atuação ética, transparente e dentro da lei.

Qual é a origem do ESG?

A origem do termo ESG (Environmental, Social, and Governance) remonta ao ano de 2004. O conceito surgiu a partir de uma iniciativa da ONU, mais especificamente em um relatório intitulado "Who Cares Wins".

Este relatório foi o resultado de uma colaboração entre diversas instituições financeiras, sob a égide do Pacto Global das Nações Unidas. A ideia central era integrar questões ambientais, sociais e de governança nas decisões de investimento e nas práticas empresariais, promovendo assim um desenvolvimento mais sustentável e ético no mundo dos negócios.

Desde então, o conceito de ESG evoluiu e se tornou um critério importante para investidores, empresas e reguladores em todo o mundo.

Estratégias ESG

Cada componente do ESG demanda estratégias próprias, que ajudem a empresa a respeitar os prefeitos de sustentabilidade, consciência social e governança corporativa.

Importante notar que essas ações não podem ser adotadas apenas como uma forma de mostrar a investidores e consumidores a preocupação da organização com a natureza e a sociedade. O ESG deve guiar uma mudança na cultura organizacional da empresa, entranhado-se em seu DNA e orientando sua missão, seus valores e seus objetivos.

A atração de novos parceiros, investidores e clientes deve ser enxergada como uma consequência de uma atuação voltada a esses preceitos, e não como o objetivo em si.

Isso posto, destacamos alguns exemplos de estratégias que a empresa pode adotar em cada um dos pilares da agenda ESG:

Estratégias ambientais

  • Redução de desperdícios e resíduos;
  • Maior eficiência energética, sobretudo por meio do uso de fontes renováveis de energia;
  • Otimização do uso de recursos naturais, principalmente a água;
  • Criação de projetos voltados à sustentabilidade ambiental, como ações de reflorestamento.

Estratégias sociais

  • Criação ou investimentos em programas sociais voltados, especialmente, às comunidades diretamente afetadas pela empresa;
  • Contratação de mão de obra local;
  • Promoção da diversidade no ambiente de trabalho,com total respeito às leis trabalhistas e direitos humanos;
  • Elaboração de programas focados na qualidade de vida dos colaboradores.

Estratégias de governança

  • Adoção das melhores práticas de compliance;
  • Treinamento e capacitação dos colaboradores com foco na ética, transparência, respeito às leis e normas internas da companhia, bem como o que fazer diante de situações que potencialmente foram esses princípios;
  • Criação de um conselho de administração independente;
  • Realização de auditorias periódicas.

O ESG no e-commerce

A agenda ESG não se limita a grandes empresas. Micro e pequenos negócios também se beneficiam dessas boas práticas, inclusive no e-commerce.

Como vimos, os consumidores brasileiros dão cada vez mais importância para o aspecto socioambiental. Muitos querem saber a procedência dos produtos, a forma como são fabricados, como serão enviados etc. E essa preocupação também está presente em muitos parceiros de negócios.

Isso significa que trazer o ESG para dentro do e-commerce pode abrir um leque de oportunidades para atrair novos clientes e parcerias.

Além disso, vale apontar: todo marketplace quer contar com os melhores vendedores. Se um lojista se destaca no mercado pela qualidade dos seus produtos ou pela aceitação do consumidor, os grandes shoppings virtuais certamente ficarão interessados.

É o caso de iniciativas como o Programa ABVTEX (da Associação Brasileira do Varejo Têxtil). O objetivo é realizar auditorias para tornar os varejistas aptos (do ponto de vista socioambiental e de governança) a entrarem nos marketplaces parceiros, adequando-os à nova realidade do mercado.

Desafio de ESG no e-commerce

A implementação de estratégias ESG (Environmental, Social, and Governance) em empresas, especialmente no contexto do e-commerce, vem com uma série de desafios e limitações que devem ser considerados para um entendimento mais equilibrado. Aqui estão alguns desses desafios:

  1. Custos Iniciais e Operacionais: A implementação de práticas sustentáveis e éticas frequentemente exige investimentos iniciais significativos. Isso pode incluir a atualização de tecnologia, treinamento de funcionários, e mudanças nas práticas de produção e operações. Para pequenas e médias empresas, especialmente, esses custos podem ser proibitivos.
  2. Mudanças Organizacionais e Culturais: Adotar uma agenda ESG requer mudanças significativas na cultura organizacional. Isto pode incluir a reestruturação de processos internos, mudanças nas políticas de contratação para promover diversidade, e a adoção de práticas de governança mais transparentes. Tais mudanças podem enfrentar resistência interna, especialmente em organizações com culturas corporativas arraigadas.
  3. Compromisso a Longo Prazo: ESG não é uma solução rápida ou uma medida superficial; exige um compromisso contínuo e de longo prazo. Manter esse compromisso ao longo do tempo, especialmente diante de desafios econômicos ou mudanças de liderança, pode ser difícil.
  4. Medição de Impacto e Relatórios: Determinar a melhor forma de medir e relatar o impacto das iniciativas ESG é um desafio. Isso inclui a escolha de métricas relevantes, coleta de dados confiáveis, e comunicação transparente com stakeholders.
  5. Equilíbrio entre Lucratividade e Sustentabilidade: Encontrar um equilíbrio entre manter a rentabilidade e investir em práticas sustentáveis é um desafio chave. Empresas precisam justificar o retorno desses investimentos para os stakeholders, o que nem sempre é imediatamente aparente em termos financeiros.
  6. Conformidade e Regulamentação: Navegar no complexo cenário regulatório relacionado a questões ambientais, sociais e de governança pode ser difícil, especialmente para empresas que operam em múltiplas jurisdições.
  7. Expectativas dos Consumidores e Transparência: Atender às crescentes expectativas dos consumidores por transparência e práticas éticas pode ser um desafio, especialmente para empresas que ainda estão em fase de transição para modelos mais sustentáveis.
  8. Integração de ESG no Core Business: Integrar completamente os princípios ESG nas operações centrais de uma empresa, ao invés de tratá-los como adições periféricas, é um processo complexo que requer reavaliação e adaptação constantes.

Estes desafios destacam a necessidade de uma abordagem estratégica, bem pensada e adaptável para a implementação de práticas ESG nas empresas.

Cases de ESG no e-commerce

  • Natura &Co: Conhecida por suas práticas sustentáveis e de sourcing responsável, a Natura &Co apoia comunidades locais e investe em inclusão social, sendo membro do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3.
  • Ambev: Enfoca na redução do consumo de água, busca por fontes renováveis de energia, e investimento em projetos de reciclagem e logística reversa​.
  • O Boticário: O grupo O Boticário tem se empenhado em criar ambientes de trabalho diversos e inclusivos. Até final de 2023, o objetivo é ter um quadro com pelo menos 50% de colaboradores pretos e 25% de pessoas pretas em posições de liderança. A empresa também visa aumentar a representatividade de grupos minorizados em cargos de liderança até 2030​.
  • Ambev: A Ambev tem o objetivo de ter 100% de seu portfólio em embalagens retornáveis ou feitas de conteúdo reciclado até 2025. Um exemplo notável é o Guaraná Antarctica, que se tornou a primeira marca de refrigerantes com garrafas PET feitas de 100% de plástico reciclado.
  • Lojas Renner: As lojas Renner estão fortemente comprometidas com práticas sustentáveis e socioambientais. Segundo a Money Times, a empresa atingiu a pontuação mais alta entre as 96 empresas integrantes do índice ESG da B3 e do S&P Dow Jones.Sua estratégia hoje é focada na economia circular e no corte de emissões nocivas ao meio ambiente.
  • Magazine Luiza: Vem implementando políticas afirmativas e projetos de ESG, incluindo um programa de trainee direcionado para pessoas negras, visando aumentar a diversidade dentro da empresa​

Como ser uma empresa que se orienta nos critérios ESG?

Para uma empresa orientar-se pelos critérios ESG (Environmental, Social, and Governance), é importante adotar uma série de práticas e estratégias. Aqui estão algumas etapas essenciais:

  1. Avaliação e Comprometimento: Realize uma avaliação detalhada das operações atuais da empresa em relação aos critérios ESG. O comprometimento com as práticas ESG deve começar no topo, com a liderança estabelecendo metas claras e um plano de ação.
  2. Desenvolvimento de Políticas Sustentáveis: Desenvolva políticas que promovam práticas ambientalmente sustentáveis, como redução de emissões, eficiência energética, reciclagem e uso sustentável de recursos.
  3. Promoção da Responsabilidade Social: Inclua práticas que melhorem o bem-estar da comunidade e dos colaboradores, como diversidade e inclusão, direitos humanos, condições de trabalho justas e programas de desenvolvimento comunitário.
  4. Adoção de Boas Práticas de Governança: Implemente práticas de governança corporativa sólidas, que incluam transparência, ética nos negócios, responsabilidade corporativa e conformidade com as leis.
  5. Monitoramento e Relatório: Estabeleça um sistema de monitoramento para acompanhar o progresso em relação às metas ESG e reporte regularmente essas informações aos stakeholders.
  6. Engajamento de Stakeholders: Comunique-se com clientes, investidores, funcionários e a comunidade para informá-los sobre as iniciativas ESG e receber feedback.
  7. Inovação e Adaptação Contínua: Esteja aberto a inovações e adapte as práticas ESG conforme necessário para responder às mudanças nas expectativas dos stakeholders e nos padrões do mercado.
  8. Parcerias Estratégicas: Busque parcerias com outras organizações e stakeholders para fortalecer as iniciativas ESG.
  9. Educação e Capacitação: Invista na educação e capacitação dos funcionários para garantir que todos na empresa entendam a importância do ESG e saibam como contribuir.

Ao seguir esses passos, uma empresa pode se orientar efetivamente pelos critérios ESG, promovendo não apenas o sucesso sustentável do negócio, mas também contribuindo positivamente para o meio ambiente e a sociedade.

É seguro afirmar que, em breve, o ESG deixará de ser um diferencial competitivo para se tornar prática padrão das empresas. Então, por que esperar? O mercado e a sociedade têm se adaptado rapidamente à agenda e é de total interesse dos e-commerces alinhar-se a essas demandas.

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Referências (Links Externos)

Responsabilidade social: Pesquisa aponta que 87% dos brasileiros preferem empresas com práticas sustentáveis. [online] G1. Disponível em: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/especial-publicitario/top-sun/top-sun-energia-solar/noticia/2021/03/02/responsabilidade-social-pesquisa-aponta-que-87percent-dos-brasileiros-preferem-empresas-com-praticas-sustentaveis.ghtml [Acessado em 7 Set. 2022]

Novo Regulamento Programa ABVTEX. [online] Boletim ABVTEX em Pauta. Disponível em: https://www.abvtex.org.br/noticias/novo-regulamento-programa-abvtex/ [Acessado em 7 Set. 2022]

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